Olá pessoal! Muito obrigada pelos comentários e incentivos que este bloguezinho tem recebido. Como já tem tempo que não escrevo nada por aqui, decidi fazer um post maiorzinho desta vez, baseado em coisas que tenho aprendido.
Primeiramente gostaria de esclarecer que não sou vegetariana, ecologista xiita nem nada disso. Sou uma pessoa de classe média baixa que não cozinha muito bem e não tem empregada (moro na Noruega, ter empregada é um luxo – e considerado amoral). Ando preocupada com o rumo que há muito estamos tomando: o desperdício do dia-a-dia, o abuso dos recursos naturais, o desrespeito com as nossas coisas, nossos vizinhos e nossa casa.
Falo em vizinhos e casa no sentido amplo. Para mim, plantas e animais são seres que têm tanto direito à vida quando os humanos. Somos interdependentes: eu preciso comê-los, as árvores precisam quebrar a calçada para poder expandir suas raizes, e se um dia eu der mole na praia e um tubarão me abocanhar vai estar exercendo seus direitos de morador do planeta tentando sobreviver.
Eu morrerei feliz na boca do tubarão – muito mais feliz do que atropelada por algum idiota bêbado que pensa que ‘uma cerveja não me altera’ e sai por aí pondo a minha vida em risco à toa. Agora, se o tubarão só der a mordida fatal e depois me largar de lado, vou ficar P da vida.
Faço um esforço diário para respeitar meus vizinhos e pensar no planeta inteiro como minha casa. Não tenho o direito de invadir a casa do meu vizinho porque estou precisando de mais um quarto. E se eu não jogo lixo no chão na minha casa, não faço isso na rua, na praia, no mato. Nem que eu tenha que vagar com os bolsos cheios de papelzinho ou a bolsa cheia de plástico até achar uma lixeira.
Esse é um exercício difícil e exigente, mas para mim muito importante e recompensante. Meus mantras são:
- A responsabilidade é minha porque as consequências de nossos atos irresponsáveis vão afetar a mim, independente do que venha a acontecer com o planeta no final das contas.
- Eu só tenho a ganhar: mesmo que o mundo cozinhe, que falte alimento, que falte água apesar dos meus esforços, pelo menos eu terei contribuído para que a situação não tenha se tornado ainda pior. Veja este vídeo (em inglês): http://www.youtube.com/watch?v=zORv8wwiadQ
Os 3 Rs verdes são:
Reutilize
Reduza
Recicle
Eu proponho mais um R:
Repense.
Por uma vida menos descartável: Indo às compras
Antes de mais nada lembre-se que cada pessoa produz em média 2 quilos de lixo por dia. 82% desse lixo é reciclável. Mesmo se você ainda não recicla, pode começar a contribuir para a saúde do meio ambiente, da sua consciência e do seu bolso. Como? Passe de consumista a consumidor.
1) LEMBRE-SE: O PODER É DO CONSUMIDOR!
Muitas vezes nos sentimos reféns do mercado: ou consumimos o que está na prateleira, ou ficamos com fome. Mas a realidade não é bem assim. O consumir está no topo desta pirâmide. São os seus reais que sustentam e justificam a existência da indústria de alimentos e de produtos de limpeza, beleza etc. Cada uma dessas empresas tem vários funcionários contratados e encomenda caras pesquisas de mercado para descobrir o que você quer. Publicitários passam noites acordados para encontrar formas efetivas de chamar sua atencão.
Por exemplo: há três anos atrás era impossível encontrar produtos ecológicos nos supermercados. Hoje, apesar dos precos muitas vezes proibitivos, a realidade é outra. Biscoitos sem gordura trans, adocantes e produtos feitos sem laticínios não surgiram por geracão espontânea. O poder é nosso.
2) MANTENHA-SE INFORMADO!
Dê preferência a produtos fabricados por empresas que adotem um perfil mais ético, saudável e ecológico, que se esforcem para minimizar o uso de embalagem não-reciclável, que apoie pesquisas e Descubra o que cada abreviacão contida na lista de ingredientes realmente significa.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_aditivos_alimentares
3) ARRUME A GELADEIRA
Antes de sair para fazer as compras, arrume a geladeira, dê uma olhada nos armários e veja do que você realmente precisa. Desta forma você evita comecar uma colecão de uvas passas, alface ou caldos knorr…
4) FAÇA UMA LISTA DOS SEUS ALIMENTOS BÁSICOS
A menos que você seja podre de rico e/ou extremamente criativo, o tipo de comida que se consume em casa tende a seguir um padrão ao longo do mês. Mapeie seus hábitos para evitar desperdícios e gastos desnecessários.
5) FAÇA COMPRAS VÁRIAS VEZES NA SEMANA
Muitos de nós ainda carregam cicatrizes dos tempos de índices altíssimos de inflacão. Mas os tempos são outros! O preco da ervilha enlatada semana que vem será provavelmente igual ao preco da ervilha enlatada hoje. Compre carnes, frutas e verduras várias vezes na semana. Desta forma você aumenta suas chances de obter alimentos mais frescos e em quantidades mais moderadas e diminui a probabilidade de ter que jogar comida fora.
Veja aqui a minha LISTA básica.
6) FAÇA UMA LISTA DAS SUAS FRESCURAS
Este item foi inspirado por um post que minha irmã publicou ano passado em seu fantástico blog. Todo mundo tem suas frescuras, também quando o assunto é comida. Eu, por exemplo, posso comprar toalha de papel classe Z, mas papel higiênico tem que ser classe A. Massa tem que ser Barilla, milho enlatado tem que ser Green giant, mas descobri que quando se trata de outros alimentos às vezes a diferenca de qualidade da marca mais barata pra mais cara é ínfima.
7) NÃO VÁ AO SUPERMERCADO COM FOME
8) VÁ À FEIRA
- Produtos mais frescos e provavelmente mais saudáveis.
- Produtos bem mais baratos do que no supermercado.
- Os vendedores conhecem seus produtos, podem entre outros lhe informar quando a abóbora vai estar madura e dar dicas de preparo.
- Você tem a oportunidade de dizer não aos milhões de saquinhos plásticos e pedir pra tia jogar tudo dentro da sua sacola de feira.
- Produtos mais ecológicos: provavelmente colhidos na mesma cidade ou em seus arredores, menos tempo de transporte, menos emissões na consciência.
- Incentivo aos pequenos produtores.
- Oportunidade de pechinchar.
9) COMPRE CONSCIENTE E FAÇA UM PLANO B
Só porque o amendoím está na promocão não significa que comprar 8 quilos seja uma boa idéia. Pense primeiro no produto final, depois nos ingredientes. Tenha um motivo real para comprar cada coisa e um plano B (pizza, quiche, torta salgada, risoto de pobre) caso o plano A falhe.
No ano passado descobri um óleo de fritura com zero calorias no mercado. Comprei e me decepcionei. Apesar de magro, o diabo do óleo deixa toda e qualquer comida com gosto de graxa.
Mas, porém, contudo, todavia esta experiência não foi em vão. Já que a indústria de alimentos ainda não conseguiu produzir um óleo sem calorias e sem gosto de cêra, o jeito é usar menos óleo na comida.
O que fizemos? Reaproveitamos a embalagem do Fry Light, que é uma garrafinha de plástico com spray, para o nosso bom e velho óleo de girassol. 
Para fritar um ovo, por exemplo, basta borrifar o óleo uma vez na panela. Usamos e gastamos menos óleo – as artérias e o planeta agradecem.
Esta dica é heranca dos meus árduos tempos de garconete de hotel.
Quase nunca consigo usar uma lata ou caixa de extrato de tomate inteira antes de comecar minha própria colônia de bactérias e colecão de mofo na geladeira. Para fazer molho de tomate para dois, por exemplo, uso no máximo duas ou três colheres de sopa.

Uma cozinheira profissional me recomendou o seguinte: comprar uma cuba de gelo extra e congelar o resto do extrato (cabe mais ou menos uma colher de sopa em cada cubo).
Ha! Mais um blog que comeco e sabe Deus se vou conseguir dar continuacao. Pelo menos este tem um objetivo mais claro…
Há mais ou menos um mês minha amada irmã Lena e meu querido cunhado Jureba alugaram um apartamento, comecando assim a deliciosa e assustadora vida adulta pra valer. Pretendo compartilhar neste blog algumas dicas e truques que aprendi the hard way sobre como sobreviver e baratear o dia-a-dia.
Estando como estamos na era da onda verde, procurarei também ressaltar os benefícios ecológicos de cada sugestão.
Vamos lá então!
Bem, a vida aqui na Noruega é diferente. Não existe isso de ter cozinheira ou empregada, a menos que você tenha grana o suficiente para ter e manter pelo menos um barco e não se incomode em ser marginalizado pela sociedade por ser um capitalista mimado.

